MAGNUSLEX

ÍNDICE

COLETÂNEA - TREVA
MULHERES DUPLA


COLETÂNEA - TREVA

TREVA?!...

UMA NESGA DE LUZ ...

"Nosce te ipsum."



É um excerto da coletânea inédita TREVAS & LUZ.
Um estilo clássico/moderno rebuscado, em que
se misturam e se complementam
idealismo, existencialismo e realismo.
Foge da métrica e da rima.
Baseia-se na antítese.

O autor.

"Quando você encontrar treva diante de si, contenha-se, procure acender uma luz."

"Quando alguém errar, não condene; acenda uma pequenina luz com seu exemplo."
Adaptação de C. Torres Pastorinho.



TRILHA... DE UM SONHO

              Caminho árduo e longo.
              Aberto...
              Tenebroso e assustador!
              A trilha está livre...
              A caminhar
              - soturno, inane,
              lúcido, sedento,
              obstinado -
              ser solitário,
              com desígnio,
              destemor,
              mutismo,
              certeza,
              alguém também a trilhará
              tão logo desperte
              para a realidade.
              Sublime transe.
              Travor ilusório.
              Dilação? Engodo?
              Veleidade? Elação?
              



ESPECTRO HUMANO

                Lado a lado,
                com[o] um espectro alucinado
                no revérbero empíreo,
                temível atração,
                debalde deleite,
                frívolo devaneio,
                a agoniar, a vagar,
                a clamar, a divagar
                na busca insana
                da deidade,
                que a cada momento,
                a cada alento,
                a cada intento,
                a cada ímpeto,
                resiste à sedução,
                reprime o afeto,
                deixa de sofrer transmutações,
                ao menor aceno.
                Sedução?
                Simulação?
              



SONHO

                A sonhar...
                Na ânsia ingente de acompanhar
                tênues lampejos
                de luz de um corpo cadente.
                No afã de acolher
                a olência, que inebria,
                instiga, comuta,
                oprime, alucina,
                desola, deleita.
                No langor infrene
                - produzido pela extenuante volúpia,
                exangue, combalido, dissimulado -
                alcançar um ser fugiente.
                No dolente e insano caminhar
                - meigo sorriso, falsidade -
                encontrar um ombro amigo,
                o suave nicho - recôndito [(im)possível] -
                de um ser fugente.
                Renitência? Transfúgio supremo?
                Enigma [in]sensato?
              



ILUSÃO

                Único acorde,
                que ainda ressoa indelével
                na imensidão deste universo,
                se afigura como um tênue ciciar,
                que vislumbra e deslumbra,
                compunge e inebria,
                tortura e alucina,
                obceca e refulge,
                arrebata e fulgura.
                Sonho de um sono utópico.
                Retorno à ilusão,
                á ingrata solidão,
                à cruel privação;
                ao ficto, ao marasmo,
                à incúria céptica,
                insídia que a vida impõe.
                Ocaso, estertor.
                Sinistro fascínio?
                Fúlgido ímpeto?
                Egoísmo? Vaidade?
              



DRAMA REAL

                Diuturno drama.
                Descerra a cortina.
                O [que parece] ideal,
                nada mais é que a realidade.
                Um sonho a se desfazer
                na esperança, na euforia.
                Idílio a dissipar.
                Fantasia a eliciar.
                O castelo desmorona.
                A luz, treva se faz.
                Ensombra. Assombra.
                A treva teimosa persiste.
                É a vida!
                A luz repentina volta [a iluminar!?...,
                a indicar o caminho, ora perdido.
                E, no anteparo do drama,
                são projetadas imagens [visionárias],
                produto quimérico
                de um idear destruído.
                Cenas de um ator [apenas].
              



A BUSCA

                Inânime ser.
                Atraído pelo encanto,
                - na brandura, na simpatia,
                frígido e fremente,
                fascinado e obcecado -
                pela beleza de uma diva.
                Diuturna busca na suave brisa
                - que a umectar
                a flor de que emana o olor,
                eflúvio que fulmina,
                que inebria,
                que extasia -
                da vereda, que se estreita
                da luz, que esvaece,
                da paz, que se dissipa,
                do amor, destruído.
                Estupor?
                A fugir da treva. Fugace?
                Angústia? Fastígio?
                Expiação, exício.
              



VOCÊ

                Alienação, dolência.
                A ostentação se dissipa
                na esperança de um afago.
                No âmago - o ardor da ansiedade,
                do afogo e da agonia,
                da espera e da ausência,
                da tristeza e da desilusão -
                matizes de um suspiro,
                cenário de um monólogo.
                Sina? Um palco ...
                Drama, que arrebata, excita,
                maltrata, alenta,
                oprime, deleita,
                castiga, absorve.
                Há alegria, felicidade, gratidão,
                esperança, delírio.
                Diáfano porvir.
                Você existe.
                Para amar!?...
                Dar novo sentido à vida?
              



LUZ... TREVA...

                Letargo? Ledo engano!
                Embora se alternem
                numa imensidão [in]finita,
                luz e treva, treva e luz.
                Nos momentos de treva
                há sempre uma esperança,
                nitente suavidade
                - nesga de luz -
                Nos momentos de luz,
                silêncio obstrito,
                nocente descrença
                - nesga de treva -
                A altivez pela vida,
                a avidez pelo amor
                a tudo supera.
                Martírio, capricho, ironia...
                Supremo enredo.
                Motejo a fustigar?
                Fim de um ato?
                Epílogo de um drama?
              



DILEMA

                Equânime viver.
                Suportar os sonhos,
                sufocar a solidão,
                dissipar a ansiedade,
                clamar por um aceno,
                delirar por um terno olhar.
                Ao provocar sofrimento,
                talvez [alguém] esteja a sentir,
                a amargar a mesma frigidez,
                que acolhe os insensíveis;
                o mesmo tédio,
                que envolve os desamparados;
                a mesma angústia,
                que consome os infelizes;
                o mesmo torpor, que tenta apoderar-se dos fracos,
                dos ineptos, dos combalidos.
                Nem tudo é treva
                - nesga de luz -
                O fascínio ilumina o caminho
                dos que gravitam meu mundo.
              



MISTICISMO

                Místico sentimento.
                Insone, na busca
                de um mito,
                de uma deusa,
                de uma musa,
                que devolva à realidade
                um ser prostrado,
                um ente sofrido,
                um vivente apaixonado.
                Cheio de esperança,
                Fulgente, férvido.
                Furtivo, fremente.
                Estoico, estreme.
                Lânguido, meigo.
                Silente... fulgente...
                Senciente... dolente...
                Descrente?!... sóbrio, ansioso.
                Ávido de amor.
                Feitiço?... Vaidade?...
                Heresia? Ficção?
              



AGONIA

                Obnubilado firmamento
                a assombrear o caminho,
                onde a luz
                - ao dispersar preguiçosa,
                pouco acalenta -
                a provocar frio desencanto,
                a consumir a esperança
                - nesga de treva -
                a fenecer a descrença,
                a esmaecer o desalento
                - nesga de luz -
                que a tudo envolve,
                que tudo destrói,
                num rito confuso,
                num passe feérico,
                num sopro monótono,
                num suspiro de agonia.
                Desígnio resignado.
                Ventura? Desdita?
                Veleidade?
              



CONSCIENTE

                Senciente.
                Devoção vívida.
                Consciente. Infausto ideal.
                Dolente, altivo.
                Mordaz cominar.
                Insciente, lôbrego.
                Dúbio proceder.
                Leniente, lúcido.
                A mitigar a sofreguidão.
                Lucescente, feliz.
                Começa a brilhar.
                Dolente, insciente,
                leniente, lucescente,
                senciente, consciente,
                feliz,
                na treva ou na luz,
                no descaso, na dilação,
                no desdém, na ternura.
                Eu existo.
                Para amar.
              



DESVARIO

                Lisonja!
                Não mitiga a dor,
                nada apaga,
                nada acrescenta.
                Insídia a incautos.
                Afago!
                Deleita, encanta,
                extasia, seduz,
                esmaece a dor.
                Carícia!
                Transporta ao devaneio,
                que alucina, inebria.
                Seja a luz,
                não seja o desvairo, a vaidade
                a simular um lampejo.
                Seja a pequenina luz,
                não seja a treva.
                Seja um aceno,
                apenas um aceno sedutor.
                Necedade? Obstinação?
              



ATRAÇÃO

                Enleio esquivo.
                Laço que atrai.
                Liame difícil, cruel.
                Luz,
                que emana do íntimo,
                a indicar um caminho,
                a projetar um mundo real.
                Ideal?
                Força natural? Fantasia,
                que acalenta, dissimula,
                que extasia, ofusca,
                que inebria, exaure,
                que instiga, adormenta,
                sepulta a razão.
                Nocente audácia,
                translada à emoção,
                à obsessão, à tortura.
                Triste desvelo,
                de um sonho, de um desejo.
                Sedição?
              



ENCANTAMENTO

                Ingente encantamento
                a ofuscar a luz,
                a alumbrar a treva,
                ora a aluir, ardência,
                ora a enlevar, lamúria.
                Arroubo? Refúgio.
                Insensato? Discreto.
                Pérfida emanação - inebriante -
                que traslada à tepidez,
                à imolação, ao esvaimento
                da crença à insídia,
                da calidez à algidez,
                da persuasão à desilusão,
                da inação à ansiedade.
                Encantamento tétrico, pungente.
                Crédulo, obcecado
                na desventura, na saudade.
                Mordente capricho.
                Ínscio?... na busca da verdade?...
                Sedente, renitente, paciente.
              



INSÔNIA

                Treva.
                Ardente insônia,
                a causar desespero.
                Insólita angústia,
                a provocar dolência.
                Lágrima frenente,
                a lacerar a alma.
                Luz.
                A luzir, a cintilar;
                fímbria de luz,
                raio, réstia
                - nesga de treva -
                Aceno furtivo.
                A fustigar, a calcinar.
                A seduzir, a simular.
                A fomentar, a sofrear.
                A cominar à pena final.
                De amor!
                Lampejo? Ironia?
                Razão? Emoção?
              



REALIDADE

                Escombros de um castelo.
                Ruínas inertes, mudas.
                Débil soluço imerso na treva.
                Fascínio de um andrajo;
                idear destruído;
                sonho desfeito;
                amor inumado.
                Onde havia luz,
                somente há treva.
                Onde havia esperança,
                só resta desespero.
                O meigo olhar ofuscou.
                A felicidade não mais existe.
                O prazer, pura ilusão
                - amar de verdade -
                apenas um alento.
                Nós existimos.
                Para amar.
                Presunção? Devoção?
                Enigma? Delírio?
              



ACENO SEDUTOR

                Jamais!
                Imaginar que
                - o aceno que seduz,
                o olhar que embriaga,
                a voz que inebria,
                o afago que acaricia,
                o murmúrio que deleita,
                o silêncio que maltrata -
                indícios, que acalentam um sonho,
                um idear dolente, insano,
                fustigam a alma
                com matizes simbióticos, a simular
                meiguice, melindre, obsessão, pudicícia,
                desprezo, idílio, desígnio, insídia?!...
                e ensinam a lutar.
                Sensatez, anseio.
                Desilusão, desgraça.
                Aprender a amar?...
                Sensual intento?...
                Queixume?...
              



OLHAR ÁLGIDO

                Olhar infrene
                - de real a devaneio,
                de cálido a álgido,
                de ardente a cinzas,
                de terno a frugal,
                de sereno ao delírio,
                de singelo a sedutor -
                a transladar,
                de euforia à angústia,
                de frenesi à nostalgia,
                de ânimo a afogo,
                de sublime a débil,
                de fremente a gélido,
                agride a extenuar,
                a exaurir, a fulminar,
                a inumar.
                A desilusão
                - sofisma de desvelo,
                que simula encanto -
                sepulta o fascínio.
              



EXPIAÇÃO

                Sem expiar, agride
                a excitar, a esvaecer,
                a acalentar, a excruciar,
                a iluminar, a ofuscar,
                a animar, a esvair,
                a alimentar, a extenuar,
                a fulgir, a haurir.
                - heresia? fastígio? -
                sufocar a ironia de viver,
                suportar a solidão,
                eliciar o delírio,
                exorcizar a magia.
                Amar demais
                - defeito -
                amargo destino, em que se confundem
                desejo, destemor,
                sensatez, sedução,
                desígnio, desgraça,
                crença, decepção.
                Veleidade? Ventura?
              



ARREBATAMENTO

                Emoção arrebatadora.
                A ansiedade atormenta, instiga
                a suportar a ausência,
                a ocultar a tensão,
                a dominar o fastio,
                a conter o fascínio.
                Desespero extenuante, a provocar
                ousadia [silente],
                dilema [pungente],
                ficção [mordente],
                fantasia [aflante],
                amor [etéreo].
                Espera angustiante
                a dispersar o sonho,
                a refutar o silêncio,
                a sufocar o lamento.
                Melancolia soturna
                imersa na falsa ventura,
                perdida no acaso.
                Realidade? Destino?
              



QUIMERA

                Mas, o suplício,
                torrente impiedosa,
                comina a alma,
                fomenta a ilusão,
                posterga o porvir,
                ostenta a sedução,
                num transe frenético
                a delir a ardência,
                a provocar ansiedade,
                a lacerar as entranhas,
                a martirizar.
                Ambição?!...
                Encantamento?!...
                Quimera?!...
                Acalenta um sonho.
                Desilusão, engano,
                Perdição, aspiração,
                Sedição, sedução.
                Insana insídia,
                que excita, sepulta.
              



ALMAS GÊMEAS

                Almas gêmeas,
                a celebrar o divino,
                a enaltecer o humano,
                a oprimir o desejo.
                Viver de verdade,
                suprema aspiração.
                Adoração, castigo, mistério.
                fantasia, paixão, quietude,
                - nuanças silentes, amargas -
                Na noite calada,
                na treva pujante,
                paciente, na busca de
                manter a chama acesa,
                dar novo sentido ao sonho,
                da mágoa à sedução,
                do escárnio à magia,
                do imaginar à realidade,
                da suprema aspiração
                a viver de verdade.
                Excelso presságio.
              



SOFRIMENTO DE UMA [ALMA]

                Gêmeas?!...
                Aura ebúrnea,
                meiga, tênue, purpúrea,
                cálido olhar.
                Terna, silente, fugidia...
                Uma delas, sempre doce,
                leal, cândida,
                atraente, esquiva.
                Vulto frágil,
                Andrajo, espectro.
                Sensível, sereno, insone,
                imerso no vazio errante
                nas agruras,
                escravo do cruel destino.
                A outra!
                Na quietude, na fantasia,
                na ilusão, na desilusão,
                na esperança, na descrença,
                afoita, à espera.
                Paraíso? Páramo?
              



ESPAÇO SIDERAL

                Nadir - zênite
                Almas gêmeas.
                Opostas na orbe imensa,
                depressão, apogeu,
                lágrima, sorriso,
                desespero, quietude,
                amargura, lividez,
                crueldade, brandura.
                Anuentes no plano anímico,
                no eterno esplendor,
                na umbrosa luz,
                na cintilante treva,
                no mel dos males.
                Indiferença de uma,
                a disfarçar.
                Delírio da outra
                - a acalentar insídia, desculpa -
                frívola, infrene,
                ínsita na simulação.
                Mútuo segredo?
              



A OUTRA [ALMA]

                Ufana alma.
                Vaidosa, altiva.
                Busca, a clamar no ocaso
                 - a esmo, na vastidão finita,
                imersa em dor,
                na voragem de frenesi e saudade -
                um aceno tênue,
                meiguice, jamais amargor,
                sedução, jamais castigo,
                lividez, jamais sedição,
                murmúrio, jamais silêncio,
                franqueza, jamais ironia,
                estima, jamais desprezo.
                Acreditar na [alma] gêmea
                Tangível, ardente.
                Destino inane?
                Ventura, desígnio?
                Incúria, devaneio?
                Insânia, resignação?
                Sinceridade? Fantasia?
              



SENCIENTE

                Sensível
                [alma] absorta em sonho,
                no misterioso sentido da vida
                - de escárnio e magia,
                ultraje e sedução,
                mágoa e felicidade,
                treva e luz,
                esperança e descrença,
                saudade e encanto -
                buscando,
                na quietude da noite,
                no torvelino do dia,
                soçobrar o diuturno açoite
                que a vida impõe.
                Indelével prenúncio
                - calar ou clamar,
                mitigar ou lamuriar,
                abrandar ou ilidir -
                de ilusão a se consumar.
                Obstinação? Fascínio?
              



SILÊNCIO

                Nada existe,
                entre a razão e a loucura.
                A alma [gêmea]
                nitente, insensata,
                senciente, nefanda,
                aflita, mórbida,
                leniente, cadente,
                só sinceridade.
                Indolência e alucinação se alternam.
                Infausto motejo,
                perverso lamento
                a infligir mordente castigo.
                Silêncio,
                eterno mordaz,
                sopro confuso,
                vazio hibernal,
                monótono burburinho,
                místico recato.
                Latente negação?
                Enigma mendaz?
              



OBSTINAÇÃO

                Obstrita [alma],
                furtiva, lívida.
                Pertinaz,
                imersa no ermo enlevo,
                na silente atração,
                na leniente brandura.
                Mal que fustiga,
                maltrata, ofusca,
                acaricia, imola,
                lacera, exaure.
                Perspicácia? Audácia?
                Vã ousadia.
                Dolente? Indolente?
                Altivo? Açamado?
                Sublime? Pérfido?
                Sedutor? Insolente?
                Será a [obstinação] solução?
                A provação?
                A presunção?
                Factício? Vaticínio?
              



NESGA DE LUZ

                Genuflexo,
                langor abstido.
                Na escuridão fria,
                um raio de esperança resplandece,
                fulgente, cálido
                - nesga de luz -
                tênue, sereno se avulta e
                em turbilhão, a cingir,
                enleio a libertar, a aceder.
                Da bela face
                emana um raio de encanto,
                um sorriso sincero,
                um aceno de afeto.
                O pranto mitigou,
                o anseio emurcheceu,
                a agonia aspirou.
                A ardência reavivou.
                Afastar? Nunca!
                Renunciar? Jamais!
              



PURIFICAÇÃO

                Único vivente.
                Alma gêmea.
                Vulto lívido, diáfano,
                afável, convicto,
                discreto, afoito,
                álgido, cálido,
                cauto, obcecado.
                Absorta, procura ocultar
                a chama da felicidade,
                abstraída, aluída.
                Em céleres sussurros
                a abduzir a mágoa,
                a renascer da cruel fantasia,
                a ablegar a saudade,
                a fortalecer o ardor.
                A abluir a insana sedução.
                A reduzir, a exaurir, a atenuar,
                a expiar o desígnio.
                Padecer, suportar o silêncio.
                Abdicar? Jamais!
              



ESPERANÇA

                Esperança!
                Jamais faltou.
                A altercar
                prece, devaneio,
                crença, denodo,
                desilusão, destemor,
                agonia, alento,
                delírio, deleite,
                algidez, flama.
                A variegar de
                mordente a fascinado,
                a amainar o arroubo,
                ceifar o martírio,
                cindir os laços,
                cingir a deidade,
                prover a privação,
                arrebatar [a] ternura.
                Ansiedade? Inação?
                Deslumbrado a clamar
                um aceno [sedutor].
              



VIVER DE VERDADE...

                Imerso na dor.
                A esmo, perambulando
                no algoz silêncio,
                no avernal capricho,
                na amarga solidão,
                - nesga de treva -
                sucumbido pelos caminhos errantes da ilusão,
                obcecado pelo cintilar de um meigo olhar,
                fascinado pelas doces palavras,
                pelo murmúrio cativante,
                perdido, esquecido, desprezado,
                renasce da soturna quimera
                - nesga de luz -
                que leva do desvairo ao desvelo,
                do véspero à realidade,
                do arquejo à inação,
                da obcecação à lucidez,
                da loucura à felicidade,
                da suprema adoração
                a viver de verdade.
              



RENASCER

                Renascer
                - acender a chama da felicidade,
                atenuar o delírio da descrença,
                açaimar a desdita da ficção,
                alimentar a fagulha da avidez,
                reacender a luz da esperança -
                cauto arrebatamento.
                Caminho,
                trilha, vereda.
                Raio, fímbria,
                aceno [sedutor]
                - nesga de luz -
                Renascer do clamor ao destemor,
                do martírio à calma,
                do arrojo à candidez,
                do casual ao real,
                à fuga do abismo,
                ao convívio com a felicidade,
                à suprema adoração,
                a viver de verdade.
              



EPÍLOGO

                A trilha está livre.
                Caminho árduo e longo, aberto.
                Alguém a trilhar [também].
                Lado a lado,
                na busca do recôndito aflante,
                ao som do acorde,
                que ainda ressoa indelével,
                - nesga de luz -
                A indicar o caminho perdido,
                que a cada passo se alarga.
                A acalentar a avidez pela vida, que a tudo supera.
                A resistir à insânia, que fulmina.
                A remir a serenidade, que traça o idear.
                Suprema aspiração.
                Viver de verdade.
                Você existe, eu existo, nós existimos.
                Para?
                Viver.
                Viver de verdade.
                Suprema aspiração.
              



MULHERES DUPLA

MULHERES!...

Mulheres.
A umas amei,
A outras estimei
E outras mal conheci.
Mas todas me impregnaram de tuas vidas.

Porém, somente tu,
Silente, algente e fugiente
- a quem aspiro -
Conseguiste me conquistar.

Viver à procura de uma ternura, ventura vã.
Não que a compartisse. Fazia-me bem.
Não, que não quisesse amar,
Mas amar menos, sem tanto sofrer.

Quantas vezes,
Já te esqueci,
Para mais loucamente me lembrar,
Mais doidamente lembrar-me de ti.

As lágrimas que choro, cruel dor
- coração vazio, amargo destino -
Ninguém as vê brotar
Dentro de minh'alma vazia.

A luz, finalmente, se faz!
Tudo se aclara.
Verdade insana,
Ingrata realidade.


A tua sina - tentativa ingente,
Suportar sem refutar,
A contrariedade de uma situação -
Imune de culpa.

É cruel a perseverança.
Crasso erro? Não...
És humilde?
Aprendeste a perdoar?

A cortina do palco
De apenas um ator se descerra
Com os "porquês" de tanta simulação.
Um negro véu obceca o vácuo idear...

MULHERES!...

Mulheres.
A umas amei,
A outras estimei
E outras mal conheci.
Mas todas me impregnaram de tuas vidas.

Porém, somente tu,
Silente, algente e fugiente
- a quem aspiro -
Conseguiste me conquistar.

Viver à procura de uma ternura, ventura vã.
Não que a compartisse. Fazia-me bem.
Não, que não quisesse amar,
Mas amar menos, sem tanto sofrer.

Quantas vezes,
Já te esqueci,
Para mais loucamente me lembrar,
Mais doidamente lembrar-me de ti.

As lágrimas que choro, cruel dor
- coração vazio, amargo destino -
Ninguém as vê brotar
Dentro de minh'alma vazia.

A luz, finalmente, se faz!
Tudo se aclara.
Verdade insana,
Ingrata realidade.


A tua sina - tentativa desmedida,
Suportar sem refutar,
A contrariedade de uma situação -
Imune de culpa.

É cruel a perseverança.
Grosseiro erro? Não...
És humilde?
Aprendeste a perdoar?

A cortina do palco
De apenas um ator se descerra
Com os "porquês" de tanta simulação.
Um negro véu cega o vácuo idear...
ILUSÃO
Trouxe sempre, sem ilusão,
teu corpo junto ao meu.
A alma gêmea,
o anseio por mais vida e maior brilho.

A negar-me o termo desta angústia,
arrasta-me ao desespero
de um abraço mudo,
de um olhar difuso.

Gotículas de mel em taça de veneno -
da voz do silêncio,
do sorriso obstrito,
a destruir sonhos a nascer.

Transido, não sabia,
que diferente serias.
Em vez de uma taça de mel,
cântaros de fel ofereces.

Nada tenho! Nada posso! Nada sou!
Não sei, sequer, se me ouves.
Não vou jurar que me vês.
Não sei se sentes saudades.

Não vou jurar que sejas sincera. Suportas.
Descortina-se o véu da realidade.
Para não mais fitar-te,
deixei cair meus olhos.

Soluços prendem-se no meu peito lacerado.
Lágrimas amargas toldam-me a visão.
O coração vem-me à boca, dando pancadas de dor.
Após muita agonia, uma centelha de glória?!...

Chamas novas e belas
vão raiando, a alma vai sorrindo.
Todo eu, olhos, coração e alma,
poisei em tuas mãos.

Ou será derrota?
A ilusão emerge.
Sofrer por sofrer,
somente um sofria.

O ardor que esvaece,
o frustro e dolente amor a cruciar
em prantos, enternecem.
É o fim... do drama (simulado).
ILUSÃO
Trouxe sempre, sem ilusão,
teu corpo junto ao meu.
A alma gêmea,
o anseio por mais vida e maior brilho.

A negar-me o termo desta angústia,
arrasta-me ao desespero
de um abraço mudo,
de um olhar difuso.

Gotículas de mel em taça de veneno -
da voz do silêncio,
do sorriso forçado,
a destruir sonhos a nascer.

Assustado, não sabia,
que diferente serias.
Em vez de uma taça de mel,
cântaros de fel ofereces.

Nada tenho! Nada posso! Nada sou!
Não sei, sequer, se me ouves.
Não vou jurar que me vês.
Não sei se sentes saudades.

Não vou jurar que sejas sincera. Suportas.
Descortina-se o véu da realidade.
Para não mais fitar-te,
Ofusquei meu olhar.

Soluços prendem-se no meu peito lacerado.
Lágrimas amargas toldam-me a visão.
O coração vem-me à boca, dando pancadas de dor.
Após muita agonia, uma centelha de glória?!...

Chamas novas e belas
vão raiando, a alma vai sorrindo.
Todo eu, olhos, coração e alma,
poisei em tuas mãos.

Ou será derrota?
A ilusão emerge.
Sofrer por sofrer,
somente um sofria.

O ardor que esvaece,
o frustrado e dolente amor a cruciar
em prantos, enternecem.
É o fim... do drama (simulado).
DESEJO
Todo felicidade,
coloquei em tuas mãos
meu coração, meu corpo, minha'alma.

Mas teu orgulho,
teima em não conceder-me
um momento de felicidade.

Teu jeito agradável,
teus gestos atraentes
mais inflamam meu amor.

Como me hei de livrar de ti?
Tenho-te trazido sempre.
Meu único desejo.
Ah! Fosse o desejo teu!

És a eleita da minh'alma,
flor olente do meu jardim,
intocável musa que me inspira.
Redoma inquebrantável.

És a mais bela, a única,
a mais amada,
entre as amadas.
Sortilégio?...

Ao olhar para trás, lágrimas brotam
e a todo momento, vejo tua alma perdida,
ouço teu murmúrio silente,
sinto o calor do teu corpo álgido.

Abandonado, perdido caminho a vaguear.
Á distância, à pequena distância,
no escuro dia, um vulto, que mal vejo.

Estás a negrejar, a se ocultar.
Que fazer da vida?
Procuro encontrar-me.
Descobrir o caminho que devo trilhar.

Me ensinaste, somente, a te querer.
Não aprendi a te esquecer.
Não te ver, não te ouvir é um drama.
Não poder te sentir é um suplício.
DESEJO
Todo felicidade,
coloquei em tuas mãos
meu coração, meu corpo, minha'alma.

Mas teu orgulho,
teima em não conceder-me
um momento de felicidade.

Teu jeito agradável,
teus gestos atraentes
mais inflamam meu amor.

Como me hei de livrar de ti?
Tenho-te trazido sempre.
Meu único desejo.
Ah! Fosse o desejo teu!

És a eleita da minh'alma,
flor olente do meu jardim,
intocável musa que me inspira.
Redoma inquebrantável.

És a mais bela, a única,
a mais amada,
entre as amadas.
Sortilégio?...

Ao olhar para trás, lágrimas brotam
e a todo momento, vejo tua alma perdida,
ouço teu murmúrio silente,
sinto o calor do teu corpo álgido.

Abandonado, perdido caminho a vaguear.
Á distância, à pequena distância,
no escuro dia, um vulto, que mal vejo.

Estás a negrejar, a se ocultar.
Que fazer da vida?
Procuro encontrar-me.
Descobrir o caminho que devo trilhar.

Me ensinaste, somente, a te querer.
Não aprendi a te esquecer.
Não te ver, não te ouvir é um drama.
Não poder te sentir é um suplício.
DESILUSÃO.
Que frio! Que frio! Desilusão.
Que noite de inverno! Gelou meu coração.
Névoas anunciam o inverno. Talvez tenha acabado o verão.
Que frio! Que frio! Gelou meu coração.

Boto-o na lareira. Ah! É outono! Será ilusão?
O carvão, tal qual pelo inverno, faz sol de verão!
Oh! Dias felizes! O meu céu de primavera cresce.
Dias de muito encanto, a alma pura e o jardim floresce!

A sentir doce fragrância, pupilas acesas,
a ouvir tua visão, de um abril de pureza.
É lindo! É lindo! Será ilusão?
Lágrimas de verão! Caminho perdido.
Gotas de sorriso! Voz do silêncio!
Náufrago da vida anda a morrer.
Escravo sou, em lágrimas. Silente.

Na fiel e imortal adoração, a conversar, a sós, com calma,
a confessar que vi pela primeira vez, a eleita de minh'alma.
Nada pedi, porém, jamais a invadi. Escolha? Entrei em sua vida
teimoso, obstinado, alucinado. Não renuncio a esta aventura atrevida.

Olhando para trás, deixei-me ir, em busca de ternura,
sentindo as lágrimas que choro a ungir a simulação de uma ventura.
Estradas muitas caminhei. Sombras de um passado presente.
Divagando sem isenção, para alcançar um futuro presente.

Esqueci muitas vezes e como um anjo adormeci.
Urdi situações. Desprezado fui. Quanto, o quanto padeci.
Silencioso, cheio de esperança, mas o fiz do meu jeito.
Sequioso, de um amor irreal, sobejos de um sonho desfeito.

Amei demais. Sorri. Quanto sonho a nascer, já desfeito.
Sofri demais. Chorei. Mas, eu senti do meu jeito.
Que bem me fazes... Sempre, sempre
a sentir do meu jeito. Meu jeito de ser.
DESILUSÃO.
Que frio! Que frio! Desilusão.
Que noite de inverno! Gelou meu coração.
Névoas anunciam o inverno. Talvez tenha acabado o verão.
Que frio! Que frio! Gelou meu coração.

Boto-o na lareira. Ah! É outono! Será ilusão?
O carvão, tal qual pelo inverno, faz sol de verão!
Oh! Dias felizes! O meu céu de primavera cresce.
Dias de muito encanto, a alma pura e o jardim floresce!

A sentir doce fragrância, pupilas acesas,
a ouvir tua visão, de um abril de pureza.
É lindo! É lindo! Será ilusão?
Lágrimas de verão! Caminho perdido.
Gotas de sorriso! Voz do silêncio!
Náufrago da vida anda a morrer.
Escravo sou, em lágrimas. Silente.

Na fiel e imortal adoração, a conversar, a sós, com calma,
a confessar que vi pela primeira vez, a eleita de minh'alma.
Nada pedi, porém, jamais a invadi. Escolha? Entrei em sua vida
teimoso, obstinado, alucinado. Não renuncio a esta aventura atrevida.

Olhando para trás, deixei-me ir, em busca de ternura,
sentindo as lágrimas que choro a sagrar a simulação de uma ventura.
Estradas muitas caminhei. Sombras de um passado presente.
Divagando sem isenção, para alcançar um futuro presente.

Esqueci muitas vezes e como um anjo adormeci.
Simulei situações. Desprezado fui. Quanto, o quanto padeci.
Silencioso, cheio de esperança, mas o fiz do meu jeito.
Sequioso, de um amor irreal, ousadia de um sonho desfeito.

Amei demais. Sorri. Quanto sonho a nascer, já desfeito.
Sofri demais. Chorei. Mas, eu senti do meu jeito.
Que bem me fazes... Sempre, sempre
a sentir do meu jeito. Meu jeito de ser.
TUDO!
Tudo, o que a você me uniu,
Separou.
Tudo, o que você conseguiu,
Refutou.

Tudo, o que o alento produziu,
Recusou.
Tudo, o que o idear assumiu,
Desprezou.

Tudo, o que o furor produziu,
Agigantou.
Tudo, o que o amor exigiu,
Eternizou.

Tudo, o que a emoção construiu,
Perpetuou.
Tudo, o que a tentação incitou,
Cativou.

Tudo, o que a devoção revelou,
Encantou.
Tudo, o que a aventura permitiu,
Desnudou.

Tudo, o que a alegria arrebatou,
Iluminou.
Tudo, o que a paixão acendeu,
Acalentou.

Tudo, o que o perfume alcançou,
Inebriou.
Tudo, o que é dor, sem doer,
Martirizou.

Tudo, que é doce e ingênuo,
Incendiou.
Tudo, que é felicidade ardente,
Ocultou.

Tudo que é amor,
fogo que inflamou,
sem se ver...
Apagou.
TUDO!
Tudo, o que a você me uniu,
Separou.
Tudo, o que você conseguiu,
Refutou.

Tudo, o que o alento produziu,
Recusou.
Tudo, o que o idear assumiu,
Desprezou.

Tudo, o que o furor produziu,
Agigantou.
Tudo, o que o amor exigiu,
Eternizou.

Tudo, o que a emoção construiu,
Perpetuou.
Tudo, o que a tentação incitou,
Cativou.

Tudo, o que a devoção revelou,
Encantou.
Tudo, o que a aventura permitiu,
Desnudou.

Tudo, o que a alegria arrebatou,
Iluminou.
Tudo, o que a paixão acendeu,
Acalentou.

Tudo, o que o perfume alcançou,
Inebriou.
Tudo, o que é dor, sem doer,
Martirizou.

Tudo, que é doce e ingênuo,
Incendiou.
Tudo, que é felicidade ardente,
Ocultou.

Tudo que é amor,
fogo que inflamou,
sem se ver...
Apagou.
SUSSURRO
Fremente sussurro - voz ao longe -
silente arfar de sublime ardência,
ansiedade que ostenta vivo encanto,
que extasia e lacera, a cominar;
que fascina e ofusca, a cruciar;
que enleva e esmaga, a torturar;
que acalenta e aturde, a prostrar.

Afável sussurro - voz ao longe -
candente anseio de embrião em latência,
angústia a despertar vivo acalanto,
que extenua e alucina, a expiar;
que exaure e emana, a incitar;
que anuvia e ilumina, a excitar;
que açoita e acolhe, a estimular.

Adusto sussurro - voz ao longe -
a aflar cálida e suave olência,
a imolar lânguido, o lamento de um pranto,
que fugente, ressurge leniente;
que álgido, incende ardente;
que sombrio, inflama luzente;
que sublime, refulge sedente.
SUSSURRO
Trêmulo sussurro - voz ao longe -
silente arfar de sublime ardência,
ansiedade que ostenta vivo encanto,
que extasia e lacera, a castigar;
que fascina e ofusca, a cruciar;
que enleva e esmaga, a torturar;
que acalenta e aturde, a prostrar.

Afável sussurro - voz ao longe -
ardente anseio de embrião em latência,
angústia a despertar vivo acalanto,
que extenua e alucina, a expiar;
que exaure e emana, a incitar;
que anuvia e ilumina, a excitar;
que açoita e acolhe, a estimular.

Adusto sussurro - voz ao longe -
a aflar cálida e suave olência,
a imolar lânguido, o lamento de um pranto,
que fugente, ressurge leniente;
que álgido, incende ardente;
que sombrio, inflama luzente;
que sublime, refulge sedente.
ETERNO MOMENTO...
ACORDAR PENSAMENTOS DE SAUDADE...
Um tênue murmúrio, que a delir na imensidão ensurdecedora ecoa
- a acolher sôfrega alma no fel do desespero, do delírio inquietante,
abreva, ainda mais, o tempo que vorazmente à eternidade escoa -
a excruciar paixões na forja de uma esperança absorvente, excitante.

Um sussurro envolvente, silente a maltratar, a desprezar arrogante
- a castigar cruelmente, a abrolhar d'alma nua e doce, fiéis sentimentos,
sorve na avidez jacente o fulgor que com a vida se exaure arquejante -
a abrumar, sorver no etéreo universo, saudade a acordar pensamentos.

A despertar de um eterno e insano sonho, que instiga látego estuante
- a suportar ingente dor de cruel realidade, que brota, esmaece insciente,
achega sutil ao regaço que atrai, a adejar profano, sedento e clamante -
a conter ímpetos, acender volúpia, despertar desejos; refrear aliciente.

A acalentar misteriosa, sutil e estranha força, infrene e ávida ansiedade
- a procurar laivos da cediça solidão, abrandar um viver lascivo, dolente,
a acerbar tristezas de infeliz ebriedade, injungir os rumos à cruel realidade -
a abster-se da fantasia, do ficto; inumar cinzas, iniciar um viver fovente.

A assombrar e avançar em turbilhão, o edaz tempo por ninguém espera
- a serenar afoita sedição, que a torturar, dá asas a atroz sofrimento,
provoca inquietante agonia, a agravar o vácuo espectro que desespera -
a idear lascivo langor, lábios silenciosos, urente arroubo de devotamento.

A inflamar o laivo sonho que mostra a cativa face de escravo da solidão
- a procrastinar o pendor irresistível que infunde e embala; só encantamento,
acende no álgido peito o fogo a atingir e causticar a alma de infrene paixão -
a superar inquietações, violar agonias de transes mortais; só pressentimento.

A fustigar, com a intensidade do brilho anelante de um clamante olhar
- a predizer o renascimento do fervor de ser apaixonado, lôbrego dormente,
desperta, a esvoaçar rumo à fugiente felicidade, e ao refúgio ledice achegar -
a descobrir, enfim, com o célere voo do sutil pensamento, o débil alvo libente.

Abstido pela cruel e infinita adjunção, que incende e estimula a alma sedenta
- a agourar a pérfida quietude, que persiste em embair a mendaz felicidade,
excitar o enredo, almejar por luz, sepultar veraz desejo; esperança acalenta -
a afastar os porquês da torpe dilação, frustra o sonho ubíquo da afetividade.

No manto escuro das noites, uma réstia de luz a tecer e obscurecer a razão
- a cingir fortemente um corpo inerme, que a abrolhar afoito, mais dolente
procura reduzir, ainda mais, os curtos limites, abandonar-se à imaginação -
a embrenhar-se na escuridão, farto da solitude, anela aplacar a sede efluente.

O destino ingrato e imprudente a provocar a angústia de delírios mortais
- a afoguear inquietante, convulsões violentas de paixões fulgurantes,
aferventa o entusiasmo, sorvendo o ignaro tempo a aniquilar ledos ideais -
afaga esperanças a ouvir murmúrios de lábios silenciosos, arquejantes.

O tempo que se afunda, faz imergir também, a âncora presa, leniente
- a vida a modelar caminhos entre as mãos, a indicar voos desvairados,
num átimo diáfano embala à realidade, avança desgarrada, despiciente -
a disfarçar magia, empecer emoções; a sofrear corações apaixonados.

A crescer o lume em labaredas esfuziantes, a adormentar esperanças
- olhos fitos no ar, no encantado mundo de lascivo êxtase, ardente,
o tempo a andar, sem parar, incêndio a extinguir, doces lembranças -
a caminhar ao acaso, girar a terra, recebe divina recompensa, recendente.

A fadigar, a igualdade de todas as horas, em eterna sombra quiescente
- a vontade insana a frustrar, e num sopro a arder o facho que alumia,
a ansiar pelo momento em que possa recomeçar; ilusão aquiescente -
acalenta o ardor, incita a angústia, a augurar o desenlace que inebria.

Ao cerrar os olhos, turvar a renitente razão, revolver cinzas jacentes
- apagar lampejos simulados, e a explodir agonia num frêmito de dor,
arrasta indeléveis lembranças num turbilhão de ondas insurgentes -
num simulacro sinistro, a soçobrar desencanta obcecado e álgido fervor.

Cativo, a resistir à ação do tempo, arfante a pungir, a queimar de desejos
- a atender súplicas e provação, mergulhado em impetuosa torrente de ardor,
nas trevas do passado, febril devaneio, vaidade que incita sedição em bafejos -
a joeirar luz, som, perfume, em inquietante nostalgia, faz despertar o amor.


A fundear esperanças, cresce o lume do anseio em vertiginosa onda florente
- os olhos fitos no ar, o mundo encantado a debochar, em êxtase a desvanecer
no tempo lépido e libertino, a extinguir lúridas chamas no desterro mordente -
que a andar ao acaso, girar pela terra; a excruciar translada ao feliz renascer.

A fadigar, a igualdade de todas as horas, rotina marroaz, devaneio horrente
- no coração ocluso a aspiração de retroceder, desvelo a irradiar obstinação
a ansiar pelo momento de afago, poder de fato tirar a vida do estado latente -
a adormecer fulgente delírio, desperta a dileção a inebriar a lúbrica obsessão.

Força misteriosa, âncora do destino obstrito a acerbar tristeza, encadear ilação
- a mergulhar na contemplação do momento, a acender a chama da vontade,
transladar a furtiva ansiedade da solidão para a nuviosa orbe de uma bênção -
forma vaga de um sonho, insana busca de acordar pensamentos de saudade.

A assomar ao longe, na busca de atenuar o lancinante desvairo da estória
- um vulto marcado por fortes traços de sofrimento, assombros de suavidade,
mostra a lívida face de um espectro letargo a maquiar a sombra da memória -
a ressurgir das cinzas, de chamas flamantes, a preservar torrente de saudade.

A eclodir, uma aflição que oculta a debilitar o sutil lamento, de mito assurgente
- hirto, no frustro caminhar do tempo a consumir avidamente o infenso delírio,
de infausta ironia, látego sedutor a acendrar o fogo de uma paixão lucescente -
a estumar o calor esvaecido que fulgente procura renascer de álgido martírio.

Ao avultar os horizontes sombrios da vida, ao alentar lágrimas de onírico amor
- o ardor febril, sintoma pérfido de perturbações, a excitar o fervor da paixão,
acalenta o vigor frenético que renasce da frialdade de eclipse em esplendor -
a despertar o esconso ardor, bafejar as auras da felicidade, brindar em oração.
ETERNO MOMENTO...
ACORDAR PENSAMENTOS DE SAUDADE...
Um tênue murmúrio, que a delir na imensidão ensurdecedora ecoa
- a acolher sôfrega alma no fel do desespero, do delírio inquietante,
abreva, ainda mais, o tempo que vorazmente à eternidade escoa -
a martirizar paixões na forja de uma esperança absorvente, excitante.

Um sussurro envolvente, silente a maltratar, a desprezar arrogante
- a castigar cruelmente, a abrolhar d'alma nua e doce, fiéis sentimentos,
sorve na avidez jacente o fulgor que com a vida se exaure arquejante -
a abrumar, sorver no etéreo universo, saudade a acordar pensamentos.

A despertar de um eterno e insano sonho, que instiga dolorosa ardência
- a suportar ingente dor de cruel realidade, que brota, esmaece insciente,
achega sutil ao regaço que atrai, a adejar profano, sedento e clamante -
a conter ímpetos, acender volúpia, despertar desejos; refrear aliciente.

A acalentar misteriosa, sutil e estranha força, infrene e ávida ansiedade
- a procurar nódoas da cediça solidão, abrandar um viver lascivo, dolente,
a amargurar tristezas de infeliz ebriedade, obrigar os rumos à cruel realidade -
a abster-se da fantasia, do ficto; sepultar cinzas, iniciar um viver propício.

A assombrar e avançar em turbilhão, o edaz tempo por ninguém espera
- a serenar afoita sedição, que a torturar, dá asas a atroz sofrimento,
provoca inquietante agonia, a agravar o vácuo espectro que desespera -
a idear libidinosa apatia, lábios silenciosos, ardente arroubo de devotamento.

A inflamar a mancha utópica que mostra a cativa face de escravo da solidão
- a procrastinar o pendor irresistível que agride e embala; só encantamento,
acende no álgido peito o fogo a atingir e causticar a alma de infrene paixão -
a superar inquietações, violar agonias de transes mortais; só pressentimento.

A fustigar, com a intensidade do brilho anelante de um clamante olhar
- a predizer o renascimento do fervor de ser apaixonado, assustador dormente,
desperta, a esvoaçar rumo à fugiente felicidade, e ao refúgio de alegria achegar -
a descobrir, enfim, com o célere voo do sutil pensamento, o débil alvo libente.

Abstido pela cruel e infinita adjunção, que incende e estimula a alma sedenta
- a agourar a pérfida quietude, que persiste em seduzir a falsa felicidade,
excitar o enredo, almejar por luz, sepultar veraz desejo; esperança acalenta -
a afastar os porquês da torpe dilação, frustra o sonho onipresente da afetividade.

No manto escuro das noites, uma réstia de luz a tecer e obscurecer a razão
- a cingir fortemente um corpo indefeso, que a abrolhar afoito, mais dolente
procura reduzir, ainda mais, os curtos limites, abandonar-se à imaginação -
a embrenhar-se na escuridão, farto da solidão, anela aplacar a sede efluente.

O destino ingrato e imprudente a provocar a angústia de delírios mortais
- a afoguear inquietante, convulsões violentas de paixões fulgurantes,
aferventa o entusiasmo, sorvendo o estúpido tempo a aniquilar felizes ideais -
afaga esperanças a ouvir murmúrios de lábios silenciosos, arquejantes.

O tempo que se afunda, faz imergir também, a âncora presa, leniente
- a vida a modelar caminhos entre as mãos, a indicar voos desvairados,
num átimo puro embala à realidade, avança desgarrada, que despreza -
a disfarçar magia, obstruir emoções; a reprimir corações apaixonados.

A crescer o lume em labaredas esfuziantes, a adormentar esperanças
- olhos fitos no ar, no encantado mundo de lascivo êxtase, ardente,
o tempo a andar, sem parar, incêndio a extinguir, doces lembranças -
a caminhar ao acaso, girar a terra, recebe divina recompensa, recendente.

A fadigar, a igualdade de todas as horas, em eterna sombra quiescente
- a vontade insana a frustrar, e num sopro a arder o facho que alumia,
a ansiar pelo momento em que possa recomeçar; ilusão aquiescente -
acalenta o ardor, incita a angústia, a augurar o desenlace que inebria.

Ao cerrar os olhos, turvar a obstinada razão, revolver cinzas jacentes
- apagar lampejos simulados, e a explodir agonia num estrondo de dor,
arrasta indeléveis lembranças num turbilhão de ondas insurgentes -
num simulacro sinistro, a aniquilar desencanta obcecado e álgido fervor.

Cativo, a resistir à ação do tempo, arfante a pungir, a queimar de desejos
- a atender súplicas e provação, mergulhado em impetuosa torrente de ardor,
nas trevas do passado, febril devaneio, vaidade que incita sedição em bafejos -
a joeirar luz, som, perfume, em inquietante nostalgia, faz despertar o amor.


A fundear esperanças, cresce o lume do anseio em vertiginosa onda florente
- os olhos fitos no ar, o mundo encantado a debochar, em êxtase a desvanecer
no tempo lépido e libertino, a extinguir lívidas chamas no desterro mordente -
que a andar ao acaso, girar pela terra; a excruciar translada ao feliz renascer.

A fadigar, a igualdade de todas as horas, rotina obstinada, devaneio horrente
- no coração ocluso a aspiração de retroceder, desvelo a irradiar obstinação
a ansiar pelo momento de afago, poder de fato tirar a vida do estado latente -
a adormecer fulgente delírio, desperta o amor espiritual a inebriar a lasciva loucura.


Força misteriosa, âncora do destino forçado a amargurar tristeza, encadear ilação
- a mergulhar na contemplação do momento, a acender a chama da vontade,
transladar a furtiva ansiedade da solidão para a nuviosa orbe de uma bênção -
forma vaga de um sonho, insana busca de acordar pensamentos de saudade.

A surgir ao longe, na busca de atenuar o lancinante desvairo da estória
- um vulto marcado por fortes traços de sofrimento, assombros de suavidade,
mostra a lívida face de um espectro letargo a maquiar a sombra da memória -
a ressurgir das cinzas, de chamas flamantes, a preservar torrente de saudade.

A eclodir, uma aflição que oculta a debilitar o sutil lamento, de mito assurgente
- hirto, no frustro caminhar do tempo a consumir avidamente o hostil delírio,
de infausta ironia, açoite sedutor a purificar o fogo de uma paixão lucescente -
a provocar o calor esvaecido que fulgente procura renascer de álgido martírio.

Ao avultar os horizontes sombrios da vida, ao alentar lágrimas de onírico amor
- o ardor febril, sintoma pérfido de perturbações, a excitar o fervor da paixão,
acalenta o vigor frenético que renasce da frialdade de eclipse em esplendor -
a despertar o oculto ardor, bafejar as auras da felicidade, brindar em oração.